Bom Dia! Hoje é 06 de Fevereiro de 2012
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"Ser Portador da Alegria do Senhor" Padre Silvester Anas



Setembro é o mês da Bíblia. Cada ano a CNBB sempre propõe um livro da Bíblia para ser lido, meditado, refletido e partilhado no mês. Neste ano, o livro escolhido é a Carta de São Paulo aos Filipenses. Um dos temas desta Carta é o convite à alegria: “Alegrai-vos sempre no Senhor; repito, alegrai-vos!”, convida-nos São Paulo (Fl 4,4).


A alegria cristã é independente de qualquer coisa no mundo porque tem sua fonte na contínua presença de Cristo (cf. Mt 28,20). Dois amores, quando estiverem juntos, são sempre felizes, onde quer que eles estejam. O cristão pode perder todas as coisas e todas as pessoas, mas ele jamais perderá Cristo Jesus. Embora se encontre numa circunstância em que a alegria se tornaria impossível, a alegria cristã permanece. Para São Paulo, nenhum obstáculo ou dificuldade é capaz de impedir a verdadeira alegria, pois ela é um dos frutos do Espírito Santo (cf. Gl 5,22). Trata-se da origem superior, e, por isso, está acima de tudo que é passageiro. Tudo pode passar, inclusive o sofrimento, mas a alegria cristã permanece, pois é o fruto da aceitação de Deus na vida do homem, fruto do Espírito Santo. O mistério da alegria nasce de Deus, é um dom, não se compra em nossos mercados nem se encontra em nossas salas de festa. A alegria brota de dentro e tem sua origem no Espírito de Deus.


A certeza de que Deus olha para nós porque nos ama e de que reside no meio de nós e de que nos acompanha, momento a momento, só pode ter como consequência uma imensa alegria no coração de cada um de nós. O olhar amoroso e acolhedor de Deus sobre nós produz em nós uma sensação profunda de serenidade, alegria e dignidade e nos dá a capacidade de sobreviver até nos ambientes desfavoráveis, mantendo nossa serenidade. Quando nos deixarmos olhar por Deus, as coisas mudarão radicalmente na nossa vida.


A alegria, escreveu o filósofo Henri Bergson, “é sinal inequívoco de que a vida triunfa”. Esta afirmação nos indica também que a falta de alegria é sinal de que a vida está bloqueada. A alegria é um “sim” espontâneo para a vida que brota de dentro de nós, um “sim” para aquilo que somos. Somos de Cristo, que é “o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6).


Se o Reino de Deus é paz, amor e alegria, o cristão deve ser testemunha da alegria: em seus talentos, em sua vida, em seu trabalho, em suas celebrações, etc. . Seria blasfêmia apresentar Deus aos outros como inimigo da vida e da alegria. O homem foi criado para expandir-se na alegria e é, por isso, chamado por Deus para expandir a alegria. Para o evangelista Lucas, a alegria é um mandamento: “Alegrai-vos porque vossos nomes estão inscritos nos céus” (Lc 10,20). Não é por acaso que René Juan Trossero, escritor e psicólogo argentino escreveu: “Há gargalhadas que se parecem mais com um soluço do que com uma risada. Prefiro o pranto esperançoso à alegria sem futuro”. O verdadeiro cristão jamais perderá sua alegria porque jamais perderá Jesus Cristo.


Toda a nossa existência, qualquer gesto de nossa parte como cristãos, deve manifestar ao mundo que temos origem na transbordante bem-aventurança de Deus que nos chamou e continua nos chamando a concelebrar com Ele o festim eterno da Sua felicidade e da Sua alegria. Uma defesa muito eficaz contra a perda da alegria é a nossa firme intenção de sermos portadores dela mesma e o empenho em contagiar os outros com a mesma alegria. A alegria partilhada e comunicada se torna multiplicada.


A alegria começa a partir do momento em que cada um de nós suspende seu esforço de busca da própria felicidade para começar a procurar a dos outros. Para sermos felizes temos que fazer a felicidade dos outros sem esperar nada em troca. É simplesmente a manifestação da minha entrega a Deus, pois Ele se entregou por minha causa. A entrega a Deus é a entrega à alegria.


Portanto, “Alegrai-vos sempre no Senhor; repito, alegrai-vos!”, relembra-nos São Paulo (Fl 4,4). Ficai sempre alegres!” (1Ts 5,16)


Padre Silvester Anas, SVD

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