O Catecismo da Igreja Católica (nº 1674), ao tratar da religiosidade popular, assim se expressa: “Além da liturgia sacramental e dos sacramentais, a catequese tem de levar em conta as formas da piedade dos fiéis e da religiosidade popular. O senso religioso do povo cristão encontrou, em todas as épocas, suas expressões em formas diversas de piedade, presentes à vida sacramental, (...) entre elas a oração do rosário”.Essa devoção tem sua origem na vitória dos cristãos contra o poderio turco, na batalha naval de Lepanto, na Grécia, a 7 de outubro de 1571. No início, celebrava-se a festa de Santa Maria da Vitória. São Pio V atribuiu o êxito a “Maria, auxílio dos cristãos”. Em 1716, o Papa Clemente XI instituiu a festa do Rosário.
O Bem-aventurado João XXIII, a 28 de setembro de 1960, escreveu ao então Vigário de Roma, Cardeal Clemente Mícara, uma carta exortando à recitação do Santo Rosário. Assim começa ele: “O mês de outubro, que se aproxima, recolhe o nosso espírito ao redor de pensamentos pacíficos, de propósitos de sabedoria e de expectativas de confiança”. E acrescenta no texto palavras de grande beleza: “Eis a chegada de outubro, um doce clarear no horizonte (...) com a devoção do rosário, que reúne grandes e pequenos (...) que traz luz, conforto e paz (...) para o povo cristão a oração mais simples e acessível, já tendo merecido, por parte de nossos veneráveis antecessores, muitos encorajamentos e bênçãos (nº 2). E seus sucessores não têm descurado desse incentivo. Muito pelo contrário, são inúmeros os estímulos à sua recitação durante todo o ano e, em particular, no mês que lhe é consagrado, outubro. Quantos lares têm sido abençoados pelo terço em família!”
O Papa Paulo VI, angustiado pela perspectiva de guerras, publicou, em 15 de setembro de 1966, a Carta Encíclica “Christi Matris Rosarii” em busca de uma verdadeira e duradoura paz. Diz ele: “Esta oração (...) é eficacíssima para implorar os dons celestes” (nº 8). Paulo VI, na Exortação Apostólica “O culto à Virgem Maria”, com data de 2 de fevereiro de 1974, recorda, na primeira audiência geral do seu pontificado, a 13 de julho de 1963, a manifestação de sua grande estima pela prática do rosário. E, em múltiplas outras oportunidades, voltava a esse assunto.
O Servo de Deus Papa João Paulo II caracterizou-se por uma profunda devoção à Mãe de Jesus. Foram inúmeros os seus ensinamentos em prol da recitação do Santo Rosário, como aconteceu no domingo 29 de setembro de 2002, ao se dirigir aos peregrinos em Castelgandolfo: “Quero sugerir a oração do Rosário às pessoas, às famílias e às comunidades cristãs”. E a seguir, para reforçar o convite, revelou que estava preparando “um documento que ajudaria na descoberta da beleza e da profundidade do Rosário (ou terço)”. Na perspectiva de obter a paz, “o Rosário se revela como uma oração especialmente indicada”. E eis que surgiu em 16 de outubro daquele ano, no início do 25º ano de seu Pontificado, a Carta Apostólica “O Rosário da Virgem Maria”, dirigida ao Episcopado, ao Clero e aos fiéis, sobre o Rosário, cuja repercussão favorável na mídia, inclusive laica, foi um bom sinal da importância desse documento. Desejo salientar o valor da piedade popular, tomando como modelo a recitação do Rosário. Evidentemente, com isto, recordo a preciosa e rica tradição de nossa Pátria: o mês de maio, a dedicação ao Rosário em outubro e a recitação do terço em família. Exatamente por estas razões é que devemos motivar não somente a recitação do Rosário, mas também outras modalidades de legítimas práticas da piedade popular. Aliás, ela tem raízes profundas na cultura de nosso povo. São tradições bem caras que devem ser preservadas, pois integram a fisionomia da fé cristã no Brasil.
Somente o Senhor conhece os benefícios recebidos no resguardo da Fé católica. O fato de reunir os crentes em torno de Jesus e sua Mãe é, realmente, meritório, pois alimenta e fortifica a prática religiosa.
Alguns desvios na formação dos sacerdotes e dos fiéis têm sua origem em opções que se distanciam de uma verdadeira mensagem evangélica. Ideologias que fracassaram continuam a influenciar de modo negativo a autenticidade de nossa doutrina. Fiéis, levados pela fome de Deus, procuram alhures o que não encontram em sua comunidade. Fator eficaz para a solução desse problema é, sem dúvida, a revalorização das práticas tradicionais, aprovadas e estimuladas pela Igreja. A situação tende a se agravar quando, na formação do clero, não se toma na devida consideração essa questão. Cresce o distanciamento dos pastores que não foram devidamente formados para entender os anseios do rebanho. Neste caso se inclui o valor da piedade popular. Por exemplo, o mês de maio, o de outubro, o do Coração de Jesus e os novenários.
Paulo VI, em “Evangelii nuntiandi”, tem páginas de grande riqueza sobre a evangelização em nossos dias. Assim, o papel indispensável do contacto pessoal, “a transmissão de pessoa a pessoa continua a ser válida e importante” (nº 46). Há muito que se rever em métodos pastorais. Assim, por exemplo: o acolhimento a ser dispensado aos que recorrem à secretaria paroquial e a resposta fraterna quando é necessário negar um pedido. As igrejas acolhedoras, mantidas abertas. Em seu documento, Paulo VI (nº 46) trata expressamente da religiosidade popular. Diz ele: “Se essa religiosidade popular for bem orientada, sobretudo mediante uma pedagogia da evangelização, ela é algo rico de valores. Assim, traduz em si uma certa sede de Deus que somente os pobres e os simples podem experimentar. Ela torna as pessoas capazes para terem um rasgo de generosidade e predispõe-nas para o sacrifício até o heroísmo.(...) Nós a chamamos de bom grado ‘piedade popular’ no sentido de religião do povo, em vez de religiosidade”.
Guardemos em nossa memória a bela conclusão do Papa João Paulo II em sua referida Carta Apostólica: “Rosário bendito de Maria, doce cadeia que nos prende a Deus”.
Fonte: http://cardealsales.blogspot.com/2009/03/o-rosario-da-virgem-maria.html
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