A missão que Jesus confiou aos Discípulos e, portanto, a todos os batizados, é uma missão espiritual e para exercê-la muitas vezes travamos verdadeiras batalhas espirituais.São Paulo nos ensina esta verdade quando se dirige aos efésios e afirma que “...não é contra homens de carne e de sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal espalhadas nos ares”. (cf. Ef. 6, 12). Sabendo desta realidade o próprio São Paulo orienta para não vacilarmos em nossa vida de oração e recomenda: “Intensificai as vossas invocações e súplicas. Orai em toda circunstância, pelo Espírito, no qual perseverai em intensa vigília de súplica por todos os cristãos”. (cf. Ef 6,18).
Desta maneira, uma vez que o nosso serviço na Renovação Carismática Católica é o meio que o Senhor nos concede para cumprirmos esta missão, concluímos que para exercê-la plenamente é necessário cultivarmos uma vida de intimidade com o Senhor.
Esta vida intima com o Senhor começa a partir do momento que nos disciplinamos a exercer a nossa espiritualidade de forma séria e contínua buscando viver a mística da oração e da contemplação.
A espiritualidade é algo cultivado na pessoa que se transforma em paixão pela missão. É a espiritualidade que mantém viva a força e a qualidade das opções e compromissos. É como a água que mantém viva a planta. Mas, não se percebe a olho vivo que esta água está desde a raiz até na ponta das folhas, se deixarmos de irrigá-la o seu destino será secar até morrer.
A espiritualidade está no modo de ser, de viver, de falar e de agir das pessoas. Quando perguntamos: qual é a espiritualidade de tal santo? A resposta logo vem caracterizando o(a) santo(a) pelo que foi e fez. Por exemplo: Santa Paulina: amor aos pobres, aos doentes, pela sua simplicidade, grande ideal pela missão, amor profundo a Jesus Cristo transformado em ação. A espiritualidade é o alimento que sustenta o ser e o agir.
Uma das práticas espirituais que devemos exercitar frequentemente é a adoração ao Santíssimo Sacramento. A adoração a Jesus Sacramentado é uma fonte inesgotável de bênçãos, uma riqueza para alma sedenta de Deus e a base de sustentação de todo o trabalho em nossos Grupos de Oração.
Permita-me compartilhar com você um trecho da cartilha “Amigos de Deus” sobre a prática da adoração ao Santíssimo Sacramento escrita por Dom Celso A. Marchiori, bispo de Apucarana:
“Adorar Jesus no Santíssimo Sacramento, além de nos encher de alegria, também sentimos amadurecer nossa união com Ele; somos mais livremente conduzidos à celebração da Eucaristia e saudavelmente crescemos no amor a Deus e ao próximo. Em outras palavras, essa relação pessoal com o Senhor favorece um contínuo crescimento na fé e prolonga a graça do Sacrifício Eucarístico celebrado especialmente no Domingo(Dies Domini). A Eucaristia estimula à conversão e purifica o coração. Reaviva nosso coração e nos impulsiona à celebração da Missa Dominical. O ato de adorar Jesus no Santíssimo Sacramento nos aproxima de Deus Pai, abre nosso coração para a ação do Espírito Santo, faz arder nosso coração quando lemos as Escrituras, especialmente os Santos Evangelhos, impulsiona-nos para irmos ao encontro dos irmãos, especialmente os mais necessitados, firma-nos como discípulos e nos faz ardorosos missionários. Nosso “encontro com o Senhor, presente na Eucaristia, amadurece também a missão social, que está encerrada na Eucaristia e deseja romper as barreiras não apenas entre o Senhor e nós mesmos, mas também e, sobretudo, as barreiras que nos separam uns dos outros”(Bento XVI). A adoração ao Santíssimo Sacramento purifica e alimenta a comunhão entre os esposos; tonifica o ministério dos Pastores da Igreja e a docilidade dos fiéis ao seu magistério; os enfermos experimentam a comunhão com o sofrimento de Cristo; todos se sentem motivados a buscar a reconciliação sacramental para poderem comungar com proveito; a comunhão e a unidade são garantidas entre os múltiplos carismas, funções, serviços, grupos e movimentos no seio da Igreja; todas as pessoas empenhadas nas diversas atividades, serviços e associações de uma paróquia, são identificadas por atitudes pautadas pelos valores do Evangelho e por uma espiritualidade de comunhão; e ainda, a adoração ao Santíssimo sustenta as relações de paz, de entendimento e de concórdia na cidade terrena, entre todos os seres humanos. “Prostrando-nos diante da Eucaristia, aprenderemos de maneira certa o que significa comunhão, cultura do diálogo, vida solidária, serviço aos mais necessitados e respeito à dignidade humana. Graças à iniciativa do Senhor que quis permanecer conosco podemos aprender dele as melhores lições.
A busca incessante de muitos homens de hoje em responder às suas grandes perguntas não pode ser desvinculada da fé que nos faz prostrar diante de Jesus “simples” (DIEGO TALES). Portanto, “Permaneçamos longamente prostrados diante de Jesus presente na Eucaristia, reparando com a nossa fé e o nosso amor os descuidos, os esquecimentos e até os ultrajes que nosso Salvador deve sofrer em tantas partes do mundo” (Mane Nobiscum Domine, n.18). No Documento para o Ano da Eucaristia, Nº 6, encontramos este salutar ensinamento: “A Eucaristia nos torna santos, e não pode existir santidade que não esteja encarnada na vida eucarística. “Quem come a minha carne viverá por mim” (Jo 6, 57).
(Cartilha Amigos de Deus – Dom Celso A. Marchiori)
Desejo irmãos(ãs) que o Espírito Santo nos convença e nos motive a exercitar com freqüência está “virtude” da Adoração ao Santíssimo Sacramento para que, aos pés do Senhor, possamos nos deixar conduzir plenamente pela Sua santa vontade”.
FONTE: http://www.rccpr.com.br/
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