Boa Noite! Hoje é 03 de Setembro de 2010
Banner
Banner

Informativos

Inscreva-se e receba gratuitamente nossas novidades diretamente em seu email.





Banner
Banner
Banner

O pecado sempre deixa marcas em nossa alma. Viver em estado de pecado é como andar com as lentes dos óculos completamente sujas. Não vemos nada direito. Até as coisas mais belas parecem feias quando estamos no pecado. Ele não nos deixa ver as qualidades das pessoas. Só vemos os defeitos. Vamos nos tornando pessoas amargas e pessimistas. E o pior é que às vezes nos acostumamos ao pecado e até sentimos saudade dele. Sabe que pecar vicia? Dizem que até matar pode se tornar um vício. Ouvi um assassino confessar que o difícil foi matar o primeiro, o segundo… mas depois de um tempo ele sentia falta se não matava alguém. Existe maior horror?

 

Um dos primeiros efeitos do pecado é a mágoa. Ficamos magoados até com Deus. Ficamos super-sensíveis a qualquer palavra. Até um elogio nos irrita. Às vezes carregamos esta mágoa por toda uma vida. Parece incrível mas o pecado faz pessoas que moram na mesma casa não conversarem por anos a fio. Existem casais que conseguem comer na mesma mesa, dormir na mesma cama e não trocar nem meia dúzia de palavras por dia. Existe um pecado dormindo no meio deste casal. A carta de Paulo aos Efésios, em seu capítulo 4 diz em liguagem figurada: “Que o sol não se ponha sobre a vossa ira; não deis entrada ao demônio”(          ). Se existe um exorcismo para libertar deste mal, é o perdão. Este apóstolo sabia muito bem o que era passar do reino das trevas do pecado para a luz da graça. Por isso, sua mensagem semre nos exorta a deixar as coisas do “homem velho” para trás e nos revestirmos do “homem novo”. A esta renovação espiritual chamamos de reparação. Lutar contra o pecado é um passo muito importante. Meditemos a exortação de Paulo:

 

“Renunciai à vida passada, despojai-vos do homem velho, corrompido pelas concupiscências enganadoras.  Renovai sem cessar o sentimento da vossa alma,  e revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade.  Por isso, renunciai à mentira. Fale cada um a seu próximo a verdade, pois somos membros uns dos outros.Mesmo em cólera, não pequeis. Não se ponha o sol sobre o vosso ressentimento.  Não deis lugar ao demônio. Quem era ladrão não torne a roubar, antes trabalhe seriamente por realizar o bem com as suas próprias mãos, para ter com que socorrer os necessitados.  Nenhuma palavra má saia da vossa boca, mas só a que for útil para a edificação, sempre que for possível, e benfazeja aos que ouvem.  Não contristeis o Espírito Santo de Deus, com o qual estais selados para o dia da Redenção. Toda amargura, ira, indignação, gritaria e calúnia sejam desterradas do meio de vós, bem como toda malícia.  Antes, sede uns com os outros bondosos e compassivos. Perdoai-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou, em Cristo” (Ef 4, 22-32).

 

A reparação é sinônimo de “cura interior”. Esta mágoa alimentada pelo pecado precisa de cura e libertação. Para isso é preciso exercitar-se no perdão. Rezar pela pessoa já é um bom passo. Mas é preciso ir até ela e dizer que você perdoa. É um remédio amargo, mas funciona. Mas não pense que basta perdoar uma vez. O perdão é como aquele ditado: “Agua mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. A mágoa é uma pedra dura que trazemos no coração. É pior que pedra nos rins. Dói mesmo. Mas nem a dureza deste mal interior resiste à Água do Perdão. De gota em gota você vai vencendo aquela amargura interior.

 

Pe. Alírio Pedrini chamou esta dinâmica de “Oração de Amorização”. É isso mesmo. Amorizamos as pessoas quando repetimos que as perdoamos. Sempre penso que esta foi a lição que Jesus ensinou a Pedro quando ele perguntou quantas vezes devemos perdoar o irmão. Em um tempo que a lei era “olho por olho e dente por dente”, perguntar se deveria perdoar até sete vezes, já é um grande progresso. Ainda mais que o número sete na simbologia de Israel representava uma quantidade grande e perfeita. Mas Jesus foi para além da perfeição. Ele disse a Pedro que era necessário perdoar setenta vezes sete, ou seja, sempre! Mas há um detalhe que nos escapa nesta matemática. Estes 499 (70 x 7) gestos de perdão ensinados por Jesus seriam para mágoas diferentes, ou para a mesma mágoa? Gosto de imaginar que o Mestre nos ensinou o caminho das pedras na oração de cura interior. Precisamos repetir interiormente muitas vezes o perdão para a mesma mágoa. E a cura interior acontecerá.

 

Outro efeito do pecado que precisa de reparação é a “frieza”. Quando estamos no domínio do mal, a vida se torna um permanente inverno (para não dizer um ‘inferno’). O calor humano é substituído por relações sem sentimento. Torna-se mais difícil sorrir. Além disso, a nossa oração se torna fria. O pecado alimenta a tibieza, ou seja, a falta de motivação para rezar. Uma pessoa fria é uma pessoa “morta”. Podemos dizer que o pecado nos mata por antecipação. Por isso a Bíblia diz que o salário do pecado é a morte (cf. Rm 6,23).

 

Chegamos, então, a um terceiro efeito do pecado: ele nos deixa “sem vida”. Jesus veio para  nos dar “a vida em plenitude” (cf. Jo 10,10). Ele é o Bom Pastor, que dá a vida pelas suas ovelhas. A verdadeira árvore da vida não é aquela do paraíso. É a cruz… um lenho morto que serviu de ponte de salvação para toda a humanidade perdida no pecado e na morte. Jesus nos mostra com este gesto de amor que é possível vencer. Aliás, com ele já somos muito mais que vencedores. A morte já não tem domínio sobre nós.

 

Quando percebemos que o pecado encontrou uma fresta e entrou em nossa vida, é preciso um corte radical. Não se vence o pecado aos poucos. É como parar de fumar. Há pessoas que me dizem: “- Estou parando…” e não param nunca. É preciso dizer “por hoje não” e repetir este gesto todos os dias. O resultado é uma grande libertação interior. A vida ganha novas cores. Começamos a ver belezas que antes não percebíamos. Nossos encontros com as pessoas recebem uma nova dimensão. Viver fica mais leve e bom. Fazemos as pessoas sorrirem de felicidade. Pecado contamina. É como doença. Morte gera morte. É uma “desgraça”. Mas a graça de Deus também contagia. Uma pessoa “cheia de graça” deixa o ambiente todo mais “engraçado”.

 

Uma última dor do pecado sobre a qual gostaria de dizer algumas palavras é a angústia. Quando somos escravos do pecado sentimos como que um aperto no peito. Muitas pessoas já me disseram isso entre lágrimas. A confissão sincera e completa é a solução. Há pessoas que vivem nessa realidade e demoram para procurar um sacerdote e confessar os seus pecados. É neste sentido que convido você agora para rezar o Salmo 31:

 

“Feliz aquele cujo pecado foi perdoado. [...] Enquanto me conservei calado, mirraram-se-me os ossos, entre contínuos gemidos. Pois, dia e noite, vossa mão pesava sobre mim; esgotavam-se-me as forças como nos ardores do verão. Então eu vos confessei o meu pecado, e não mais dissimulei a minha culpa. Disse: Sim, vou confessar ao Senhor a minha iniqüidade. E vós perdoastes a pena do meu pecado. Assim também todo fiel recorrerá a vós, no momento da necessidade. Quando transbordarem muitas águas, elas não chegarão até ele. Vós sois meu asilo, das angústias me preservareis e me envolvereis na alegria de minha salvação.  Vou te ensinar, dizeis, vou te mostrar o caminho que deves seguir; vou te instruir, fitando em ti os meus olhos: não queiras ser sem inteligência como o cavalo, como o muar, que só ao freio e à rédea submetem seus ímpetos; de outro modo não se chegam a ti.  São muitos os sofrimentos do ímpio. Mas quem espera no Senhor, sua misericórdia o envolve.  Ó justos, alegrai-vos e regozijai-vos no Senhor. Exultai todos vós, retos de coração.”

 

Fonte: http://blog.cancaonova.com/padrejoaozinho/2008/11/10/6-a-dor-do-pecado/