Boa Madrugada! Hoje é 07 de Setembro de 2010
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Reflexão do dia: Mateus 20,1-16 

         O evangelho de hoje traz uma parábola que só é relatada por Mateus. Ela não existe nos outros três evangelhos. Como em todas as parábolas, Jesus conta uma história feita de elementos do dia-a-dia da vida do povo. Ele retrata a situação social do seu tempo, na qual os ouvintes se reconhecem. Mas ao mesmo tempo, na história desta parábola, acontecem coisas que nunca acontecem na realidade da vida do povo. É que, ao falar do patrão, Jesus pensa em Deus, seu Pai. Por isso, na história da parábola, o patrão faz coisas surpreendentes que não acontecem no dia-a-dia da vida dos ouvintes. É nesta atitude estranha do patrão, que deve ser procurada a chave para a compreensão da mensagem da parábola.

         A parábola dos trabalhadores na vinha trata do tema do trabalho, questão importante, pois é no trabalho que passamos a maior parte das nossas vidas. Também é pelo trabalho que podemos multiplicar a vida que já existe. Todavia, o trabalho e a sua remuneração também são fontes de desigualdade. O que é que o trabalhador recebe em troca do seu trabalho? Que proveito ele pode tirar de todo o trabalho com que se afadiga debaixo do sol?

         O Reino de Deus, que é o reinado da justiça, ilumina a questão do trabalho e traz uma nova proposta. Talvez não agrade a todos, mas propõe um desafio: como ser justo com o trabalhador, de modo que o trabalho seja fonte de igualdade e não de injustiça?

         A parábola está encaixada na moldura formada por cap. 19, 30 e 20,19. Deve ser lida nessa direção. E, ponto importante, os estudiosos nos avisam que a frase pode ser traduzida assim: “Todos mesmo que sejam primeiros, serão últimos, e mesmo que sejam últimos, serão primeiros”. E, isso traz o grande desafio: transformar o mundo do trabalho em fonte de igualdade, primeiro fruto da justiça. Contudo, será que os primeiros vão aceitar essa justiça?

         Algo que chama muita atenção é o comportamento do patrão. Quando contrata a primeira turma, ele acerta uma moeda de prata, o que naquele tempo dava para um chefe da família sustentar a sua casa por um dia, atendendo todas as necessidades suas, da mulher e dôo filhos. Na turma seguinte ele diz que vai pagar o que é justo, mas não diz quanto. Depois já não diz o que vai pagar. No fim do dia, porém, ficamos sabendo que o pagamento é o mesmo para todos. E aqui entra a justiça: todos têm o direito de receber o necessário e suficiente para todas as suas necessidades. O comportamento do patrão é igualitário. E aqui vem o choque, para nós que estamos acostumados com a injustiça e a desigualdade. Costumamos pensar que há trabalho mais nobre e menos nobre, mais importante e menos importante, de maior e menor valor. A final, por que uma empregada doméstica vale menos que um professor? Sua responsabilidade também não é grande? Por que o engenheiro tem que ganhar mais que o pedreiro? Suas famílias têm necessidades diferentes? Como fica o problema do desemprego à luz dessa parábola? E como é que o mundo do trabalho poderia ser mais justo?

Oração pelas famílias:

Senhor Jesus Cristo, Vós que, fazendo-Vos homem, quisestes ser membro da família humana, ensinai às nossas famílias as virtudes que resplandeceram na casa de Nazaré.

Fazei que elas permaneçam unidas, como Vós e o Pai sois Um, e sejam testemunho vivo de amor, de justiça e solidariedade; fazei que sejam escolas de respeito, perdão e ajuda recíprocos, para que o mundo creia; fazei que sejam fonte de vocações para o sacerdócio, para a vida consagrada e para todos os demais modos de decidido compromisso cristão.

Com a imposição da minha mão sacerdotal que Deus abençoe toda a sua família: + Em nome do Pai, Filho e Espírito Santo . Amém

Padre Silvester Anas.