
No 27◦ Domingo do Tempo Comum, a liturgia nos apresenta a imagem da vinha. Na Primeira Leitura, de Isaías 5,1-7, conhecido como cântico da vinha, pode-se destacar três elementos. Primeiro trata-se de uma queixa de amor, ou seja, aquele que canta, expressa o fracasso amoroso que, em outras palavras, reflete o aparente fracasso amoroso de Deus em relação ao seu povo. Segundo, este amor assume a forma do “fazer”, que por sete vezes é repetido no texto. Trata-se de um amor operante, que se traduz em gestos concretos. Terceiro, o profeta expõe a frustração daquele que cultivou a vinha e chama os habitantes de Judá para serem testemunhas de seu amor não correspondido. Ao apresentar o caso, o texto se volta contra o próprio povo ao revelar o sentido da vinha: a vinha do Senhor é a casa de Israel.
No Evangelho, Jesus se aproveita da imagem da vinha, muito conhecida em Israel, para contar uma parábola. O proprietário arrenda sua vinha para alguns agricultores e, no tempo da colheita, envia seus servos para colherem os frutos da vinha. Durante toda a história da salvação, Deus não deixou de se preocupar com a salvação de seu povo. Por isso, em cada momento, enviava seus mensageiros, seus profetas, que lembrava ao povo os cuidados de Deus ao longo da história e, ao mesmo tempo, exortava para que vivessem de acordo com a aliança de Deus.
Depois de ter falado de muitos modos, Deus fala através de seu Filho, que é enviado ao mundo, assume nossa condição e leva à plenitude o projeto salvífico de Deus. O fato de Jesus assumir nossa condição nos mostra que Deus nunca se esqueceu de sua vinha e, embora a humanidade caminhe na desobediência e na revolta contra Deus, seu amor permanece para sempre e sua misericórdia alcança a todos quantos se abrem para acolherem a salvação de Deus.
A obra iniciada na vinha de Deus precisa ser completada. Hoje nos somos esta vinha e a graça divina deseja frutificar em nossas vidas, nossas famílias, nossas comunidades. Neste domingo, Deus nos convida a reler nossa história pessoal, familiar e comunitária e contemplar o agir divino em nossas vidas. Que nossos ouvidos se abram para que esta Palavra frutifique em nosso interior para que sejamos todos guardados na paz de Deus e, como nos diz Paulo na Segunda Leitura, nos ocupemos com o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, honroso, virtuoso e tudo o que merece louvor. Estes são os frutos que Deus espera de nós.
Que o Espírito Santo torne fértil a vinha de Deus que somos nós e que nossos corações se abram para que a obra de Deus iniciada em nossas vidas seja completa.
Paz e Bem.
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