Bom Dia! Hoje é 21 de Maio de 2012
Banner
Banner

Informativos

Inscreva-se e receba gratuitamente nossas novidades diretamente em seu email.


Banner
Banner
Banner

A Misericórdia Divina




A MISERICÓRDIA DIVINA NOS RESTITUI A DIGNIDADE

Lc 7,36-50

                                                                   

         Através da passagem do evangelho lido neste dia que é bastante comovente e rica em ensinamentos Lucas quer falar de um tema muito caro para seu evangelho: a misericórdia de Deus que se manifesta em Jesus que acolhe e perdoa os pecadores (Lc 15; 19,1-10; 23,40-43). Lucas apresenta o Jesus misericordioso diante daqueles que necessitam da libertação. A misericórdia é o amor fiel e gratuito de Deus para com o ser humano. A misericórdia é o amor que ama até aquele que não merece ser amado. Por isso, somente consegue ser misericordioso quem se deixa contagiar pela misericórdia ou compaixão divina. Todo misericordioso é compassivo.

                  Nesta cena, o fariseu tem nome: “Simão”, e por isso, tem honra. Ele se apresenta como “certinho”, respeitável cumpridor das leis religiosas. Ele se apresenta como “correto”, tem seus deveres religiosos em dia, e por isso se julga ter uma superioridade religiosa. Ele, longe de amar sua vida como dom de Deus, cultiva-a como produto da sua própria retidão e fidelidade a leis relativas. Por isso tudo, ele se escandaliza com a desordem introduzida pela mulher pecadora e a atitude de Jesus diante de toda esta confusão. Para o fariseu, Jesus, por ser homem de Deus, mais precisamente por ser profeta, deveria permanecer afastado da pecadora que lhe expressa amor. Com a atitude de Jesus e a audácia da pecadora, fica claro para o fariseu que Jesus não é profeta, uma vez que se comporta como se não soubesse a vida pecaminosa da mulher (v.39; cf. Lc 4,9; 23,35-37). A conclusão do fariseu é esta: Jesus não é um profeta. Por esta razão, o fariseu nem sequer pronuncia o nome de Jesus no seu pensamento: ele chama Jesus simplesmente “este homem” (v.39). O fariseu se acha santo. Quando se trata de pecado, nunca é dele, mas sempre dos outros. É uma cegueira espiritual. Jesus entrou na casa do fariseu como luz (Jo 8,12) para que o fariseu pudesse enxergar melhor sua própria miséria interior (casa), mas ele não quis enxergar. Mas quem sabe o que é bom, acaba fazendo o bem.

           Além disto, o fariseu se acha superior ao resto. Dizem que o complexo de superioridade tem sua origem no complexo de inferioridade. O fariseu se encontra cheio de si próprio. Quem está cheio de si é porque está vazio de Deus. Dizia Santo Agostinho: “A soberba odeia a companhia. O orgulhoso procura por todos os meios brilhar solitário” (Epist.140,42). Geralmente, aquele que se acha superior não se preocupa em conhecer a verdade e em saber mais, mas apenas em ocupar uma posição em que ele possa ser o centro e a norma. Este complexo de superioridade normalmente não encontra abrigo em uma pessoa de inteligência e de espiritualidade equilibradas. Uma pessoa equilibrada reconhece as próprias limitações. E a realidade de nossas próprias limitações é o mais eficaz dos convites à humildade.

         Jesus quer que Simão e todos nós vivamos de acordo com a lógica de Deus que consiste numa lógica de amor e de misericórdia, pois somente esta lógica é capaz de gerar o amor e, portanto, a conversão e vida nova. Esta lógica de Deus é capaz de gerar o amor e a vontade de começar vida nova inserida no amor de Deus que perdoa e salva.

           O texto não fala do nome da mulher; somente de sua profissão: “uma pecadora” que a torna desonrada aos olhos de todos, menos aos olhos de Jesus. Ela entra, avança sem temor e rompe todas as convenções, criando um enorme mal-estar em todos. Num gesto de confissão pública, ela realiza com relação a Jesus aqueles sinais de afeto, de reconhecimento, de veneração que ninguém havia sabido realizar. Ela chora, molha com suas lágrimas, beija diversas vezes os pés de Jesus, gesto de grande humildade e de agradecimento, e com seus cabelos os enxuga. A ação da mulher é descrita como uma resposta de gratidão, como conseqüência do perdão recebido: “Por esta razão, eu te declaro: os muitos pecados que ela cometeu estão perdoados porque ela mostrou muito amor. Aquele a quem se perdoa pouco, mostra pouco amor” (v.47). No momento em que recebemos o perdão, o mal que nós cometemos é transformado num bem e aprendemos a conhecer melhor a Deus e que o amor de Deus por nós é muito maior que a nossa culpa. O perdão cria um novo laço entre Deus e nós. Somente o homem que encontrou a coragem de reconhecer a sua culpa: “Pequei contra o Senhor” (2Sm 12,13) é realmente capaz de se aceitar a si mesmo e de encontrar a paz que o mundo não pode dar nem tirar. Se reprimirmos a nossa culpa é sinal claro de que não cremos plenamente no amor misericordioso de Deus. O mal fatal começará quando alguém procurar reprimir a sua culpa. Deus não pactua com o pecado, mas também não abandona o pecador que reconhece a sua falta e aceita o dom da misericórdia.

         O Evangelho de hoje nos ensina a não nos desesperarmos por mais pecaminosa que seja a nossa vida, porque a todos nós é oferecido em Cristo Jesus o perdão transformador de Deus. É uma mensagem do inesgotável perdão de Deus.

         Mas ao mesmo tempo o evangelho de hoje nos alerta sobre o perigo de nos transformarmos em juízes de quem não faz tudo certinho. Afinal, era essa a atitude do fariseu: ele julgava poder olhar de cima a pobre pecadora. Santo de coração endurecido não é santo de verdade porque falta o principal: amor, perdão, compaixão, caridade, compreensão, misericórdia e humildade. Somos salvos porque Deus nos ama de graça e não porque cumprimos regulamentos. Ninguém deixa de necessitar da misericórdia de Deus que perdoa por mais piedoso que ele seja.

         Para refletir: O fariseu que recebe Jesus à mesa lança seu olhar para a mulher e a vê somente como pecadora. Por isso, ele a despreza e condena. Jesus também lança seu olhar para a mesma mulher e procura ver, através de seu comportamento, tudo o que se passa no seu coração e vê que ela ama muito e por isso, a perdoa. Que tipo de olhar que você tem? De que maneira você vê as pessoas e as coisas? Qual é a importância do amor de Deus na sua vida, na sua vida espiritual e no sentido de sua vida?

Oração pelas famílias:

Senhor Jesus Cristo, Vós que, fazendo-Vos homem, quisestes ser membro da família humana, ensinai às nossas famílias as virtudes que resplandeceram na casa de Nazaré.

Fazei que elas permaneçam unidas, como Vós e o Pai sois Um, e sejam testemunho vivo de amor, de justiça e solidariedade; fazei que sejam escolas de respeito, perdão e ajuda recíprocos, para que o mundo creia; fazei que sejam fonte de vocações para o sacerdócio, para a vida consagrada e para todos os demais modos de decidido compromisso cristão.

Com a imposição da minha mão sacerdotal que Deus abençoe toda a sua família: + Em nome do Pai, Filho e Espírito Santo . Amém

Padre Silvester Anas.