TODOS SÃO PARCEIROS DA BOA NOTÍCIA

Lc 8,1-3
O evangelista Lucas, no seu evangelho, afirma que, com os Doze, havia um grupo de mulheres que seguiam a Jesus. O evangelista Lucas é o único que menciona os nomes das mulheres que acompanhavam Jesus ao longo de suas viagens.
Não podemos esquecer de que os rabinos da época excluíam as mulheres do circulo de seus discípulos. Não podemos esquecer também de que segundo a organização do judaísmo daquele tempo as mulheres apenas formavam parte da comunidade: podiam participar do culto da Sinagoga, porém não eram obrigadas a participar do culto. A Liturgia começava quando, pelos menos, dez homens estavam presentes. Mesmo que tivesse cem mulheres na Sinagoga, mas sem homem nenhum presente ou menos de dez homens, não haveria nenhum culto.
Nos capítulos anteriores deste evangelho lemos que, em atenção a uma mulher, a viúva de Naim, Jesus ressuscitou seu filho. No texto do evangelho do dia anterior, Jesus reabilitou a dignidade de uma mulher pecadora, na casa de Simão, o fariseu. Nenhum outro evangelista como Lucas que atribui às mulheres um maior papel. Pensemos, por exemplo, na função essencial de Maria nos relatos da infância de Jesus. Pensemos no episódio de Marta e Maria (Lc 10,38) que somente Lucas o relatou. Quantas vezes aparecem as mulheres no evangelho com uma atitude positiva e admirável. Basta recordar as que estiveram perto de Jesus no momento mais trágico, ao pé da cruz: Maria, mãe de Jesus e outras mulheres.
A tradição nos relata que as primeiras aparições do Ressuscitado foram feitas para as mulheres (Lc 24,10) e precisamente às que Lucas anota no texto do evangelho deste dia. Tendo acompanhado Jesus desde o começo de seu ministério público, como os Doze, as mulheres discípulas eram iguais aos homens para o anúncio da Boa Nova.
Estas mulheres, discípulas de Jesus como os discípulos eram, então, parceiros e parceiras de Jesus: parceiros e parceiras do bem. Não é por acaso que Lucas nos afirmou que nas suas viagens Jesus proclamava a Boa Notícia (evangelho). É claro que essas mulheres se tornaram discípulas da Boa Notícia ou do bem.
A Palavra de Deus de hoje quer nos enfatizar que todos, mulheres e homens, são chamados a proclamar a Boa Notícia. É preciso que voltemos sempre a meditar sobre este tema: Boa Notícia, Notícia do Bem. O que Jesus proclama é algo bom. Logo seus seguidores e suas seguidoras, os que aceitam ser cristãos e cristãs, devem ser também pregadores/pregadoras ou proclamadores/proclamadoras daquilo que é bom: a Boa Notícia. Cada cristão/cada cristã devem ser parceiros do bem. Para isso é que cada cristão, cada cristã é chamado (a) e é enviado (a). O Reino de Deus é uma Boa Notícia. No meio da superabundância de notícias ruins, o cristão e a cristã devem pregar a Boa Notícia. Martin Luther King dizia: “O grande problema não é o avanço da maldade ou do mal, mas o silêncio dos bons”. Em certo sentido, ficar calado pode ser até uma manifestação da prudência. Mas se ficar calado diante da maldade pode significar a cumplicidade.
É bom cada um se perguntar: “Sou proclamador (a) da Boa Notícia ou da Má Notícia?
Oração pelas famílias:
Senhor Jesus Cristo, Vós que, fazendo-Vos homem, quisestes ser membro da família humana, ensinai às nossas famílias as virtudes que resplandeceram na casa de Nazaré.
Fazei que elas permaneçam unidas, como Vós e o Pai sois Um, e sejam testemunho vivo de amor, de justiça e solidariedade; fazei que sejam escolas de respeito, perdão e ajuda recíprocos, para que o mundo creia; fazei que sejam fonte de vocações para o sacerdócio, para a vida consagrada e para todos os demais modos de decidido compromisso cristão.
Com a imposição da minha mão sacerdotal que Deus abençoe toda a sua família: + Em nome do Pai, Filho e Espírito Santo . Amém
Padre Silvester Anas.
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