Bom Dia! Hoje é 21 de Maio de 2012
Banner
Banner

Informativos

Inscreva-se e receba gratuitamente nossas novidades diretamente em seu email.


Banner
Banner
Banner

A Morte De Jesus E Seu Sentido



 


Reflexão do Domingo de Ramos

28 de Março de 2010

A MORTE DE JESUS E SEU SENTIDO

 

Nossa reflexão para preparar esta celebração e dar início à Semana Santa destaca a Cruz de Jesus, reconhecendo na Cruz a verdadeira identidade de Jesus. Fazemos isso quando o governo o presidente da República  (que fez estrada escondendo-se em nossas sacristias e sendo apoiado por tantos bispos e padres) assina o decreto para tirar das repartições públicas símbolos religiosos, principalmente a Cruz. Alega-se que a Cruz atenta aos Direitos Humanos e, por isso, não poderá estar em locais públicos para inspirar justiça, acolhimento digno e respeitoso, como se esperaria que repartições públicas oferecessem a seus cidadãos. Nós que nascemos com o nome de Terra de Santa Cruz, não poderemos mais mostrar a Cruz, porque a Cruz fere os Direitos Humanos. Há cinismo nesse governo que se benze com o Sinal da Cruz, mas a retira por ferir os Direitos Humanos.

         Isto não acontece somente no Brasil. A comissão de justiça da União Européia mandou que a Itália retirasse das escolas e das repartições públicas as cruzes, porque uma senhora finlandesa se sentia ultrajada com símbolos e sinais religiosos. Não consideraram que aquela senhora finlandesa ofendia a cultura italiana, tão acostumada aos sinais religiosos nas escolas. Lá como aqui, o que está por trás é a mentalidade atéia e a intenção de banir a religião da sociedade, com a acusação que a religião fere os Direitos Humanos. É a investida da mentalidade cientificista e tecnologista que vê na ética e na moral, defendidas pelas religiões, um entrave para fazerem o que querem em nome da liberdade e do progresso científico. Esquecem que os Direitos Humanos, bem antes de assim se chamar, são contemplados em todos os Livros Sagrados.

         É um assunto para ser pensado e para ser colocado em público, principalmente neste ano de eleição. — Por que um governo que vivia ao lado da Igreja agora pretende tirar sinais religiosos do meio do povo? Claro que se desculparão dizendo que a intenção não é esta e, arranjarão escusas e argumentos de toda sorte; mas, como demonstram os escândalos palacianos, é difícil crer e confiar no que dizem e no que fazem.

             A liturgia deste último Domingo da Quaresma nos - convida a contemplar a face de Deus que, por amor, desceu ao nosso encontro, partilhou a nossa humanidade, fez-Se servo dos homens, deixou-Se matar para que o egoísmo e o pecado fossem vencidos. A cruz (que a liturgia deste domingo coloca no horizonte próximo de Jesus) apresenta-nos a lição suprema, o último passo desse caminho de vida nova que, em Jesus, Deus nos propõe: a doação da vida por amor.

Com a chegada de Jesus a Jerusalém e os acontecimentos da semana santa, chegamos ao fim do “caminho” começado na Galileia. Em Jerusalém, Jesus vai realizar o último ato do seu programa de vida e missão anunciado em Nazaré, que do seu amor afirmado até à morte, vai nascer o Reino de homens novos, livres, onde todos serão irmãos no amor; e, de Jerusalém, partirão as testemunhas de Jesus, a fim de que esse Reino se espalhe por toda a terra e seja acolhido no coração de todos os homens.

A morte de Jesus tem de ser entendida no contexto daquilo que foi a sua vida. Desde cedo, Jesus apercebeu-Se de que o Pai O chamava a uma missão: anunciar a Boa Nova aos pobres, sarar os corações feridos, pôr em liberdade os oprimidos. Para concretizar este projeto, Jesus passou pelos caminhos da Palestina “fazendo o bem” e anunciando a proximidade de um mundo novo, de vida, de liberdade, de paz e de amor para todos. Ensinou que Deus era amor e que não excluía ninguém, nem mesmo os pecadores; ensinou que os leprosos, os paralíticos, os cegos não deviam ser marginalizados, pois não eram amaldiçoados por Deus; ensinou que eram os pobres e os excluídos os preferidos de Deus e aqueles que tinham o coração mais disponível para acolher o Reino; e avisou os “ricos”, os poderosos, os instalados, de que o egoísmo, o orgulho, a auto-suficiência, o fechamento só podiam conduzir à morte. O projeto libertador de Jesus entrou em choque – como era inevitável – com a atmosfera de egoísmo, de má vontade, de opressão que dominava o mundo. As autoridades políticas e religiosas sentiram-se incomodadas com a denúncia de Jesus: não estavam dispostas a renunciar a esses mecanismos que lhes asseguravam poder, influência, domínio, privilégios; não estavam dispostos a arriscar, a desinstalar-se e a aceitar a conversão proposta por Jesus. Por isso, prenderam Jesus, julgaram-n’O, condenaram-n’O e pregaram-n’O na cruz. A morte de Jesus é a conseqüência lógica do anúncio do Reino: resultou das tensões e resistências que a proposta do “Reino” provocou entre os que dominavam este mundo.

     Contemplar a cruz onde se manifesta o amor e a entrega de Jesus significa assumir a mesma atitude e solidarizar-se com aqueles que são crucificados neste mundo: os que sofrem violência, os que são explorados, os que são excluídos, os que são privados de direitos e de dignidade… Significa denunciar tudo o que gera ódio, divisão, medo, em termos de estruturas, valores, práticas, ideologias. Significa evitar que os homens continuem a crucificar outros homens. Significa aprender com Jesus a entregar a vida por amor… Viver deste jeito pode conduzir à morte; mas o cristão sabe que amar como Jesus é viver a partir de uma dinâmica que a morte não pode vencer: o amor gera vida nova e introduz na nossa carne os dinamismos da ressurreição.

O texto que ouvimos da Paixão de Jesus, narrado por São Lucas traz um fato interessante, que conclui minha reflexão. São Lucas demonstra que aquele que chamamos de Bom Ladrão foi capaz de entender o Mistério de Deus presente na Cruz de Jesus. Ele reconhece que Jesus era o justo e até mesmo reza para participar do Reino de Jesus. O Bom Ladrão assume a atitude religiosa do temor a Deus e assim respeita Jesus no momento de sua morte. É esta mesma atitude do Bom Ladrão, do temor a Deus e do respeito pela morte de Jesus, que o Evangelho recomenda a cada um de nós diante da Cruz de Jesus. A Cruz de Jesus não fere os direitos humanos e nem agride quem não comunga da mesma fé que nós. A Cruz de Jesus é a grande representação do Mistério de Deus, mas somente quem for capaz de considerá-lo com respeito e com devoção irá, pouco a pouco, compreendendo que ali se manifesta o amor divino em forma de doação plena para que todos sejamos salvos, para que todos tenhamos vida em abundância.